Saturday, July 04, 2009

Domingo na Bela União





Levanto cedo. Deito cedo também - às vezes vejo todo o Jornal Nacional!
O aroma do café torna melhor o amanhecer - imprescindível hoje que fazia muito frio e os campos mostravam sinais de que a geada fora grande . Minha primeira tarefa, entretanto, é dar comida aos gatos e cachorros. E são muitos. Depois vem o café.
Após o café, meu irmão e eu fomos ao pomar colher frutas - laranjas e bergamotas enfeitam , com formas e cores diversas, a paisagem rural de inverno. Bem bonita essa paisagem.
Chegam, mais tarde, Fabrício e Lu, nossos sobrinhos, com um grupo de amigos, todos de moto. Gente simpática. Conversamos, rimos, comemos frutas e eles retornaram à cidade.
Aproveitei o dia para reorganizar meu quarto, desfazer e fazer malas, responder mensagens, escrever para o Ron - estou convicta de que nada substitui uma carta, com longo texto , envelope subscritado a mão, entregue por um carteiro não se sabe bem quando.
Agora, quando a noite já começa a descer, eu penso que a paz de um dia e de um lugar como este é também celebração da vida.

Sunday, June 28, 2009

Para Pedro, Massimo, Raven, Raiz e Rayne.

Acordei hoje desejando conversar com vocês já adolescentes. Decidi, então, escrever. Embora o Pedro me diga que eu sou "quase eterna", melhor fazer um texto com antecipação. Vocês são ainda pequenos, e eu já passei dos sessenta anos. Melhor mesmo "garantir".
Somos de família amorosa. Somos naturalmente bastante afetivos. Imagino-os apaixonados. Imagino-os vivendo amores intensos. Custou-me entender algo que lhes quero contar. Ao longo da vida, vivemos grandes amores - e podemos viver muitos amores também. Algumas pessoas, como tio Daudt e a tia Maria do Carmo, podem ser o único amor um do outro, por toda a vida. Feliz deles porque vivem felizes . Outras pessoas lembram um amor passado, às vezes o primeiro amor, como o grande ou o único amor de suas vidas - eu acredito que essa crença aumenta com o tempo e com as idealizações do que não se esgotou. Outras, como eu, acreditam que o grande amor é o que estamos vivendo, não importa em que idade ou fase da vida. Tenho muito carinho pelo meu passado. Tenho muito carinho pelo Arilton, meu primeiro amor . Tenho muito carinho por todos os amores que tive ao longo de muito tempo. Todos únicos e muito especiais. Neste momento, tenho , no Ronald, o amor da minha vida. Bonito e intenso. É o amor do presente, o amor que estou vivendo. Isso é o que importa. Meus maravilhosos meninos, vivam intensamente todos os amores: amor pelo trabalho, amor pelo conhecimento, amor pela Humanidade, amor por alguém e, acima de tudo, amor pela vida. Sim! e não esqueçam de expressar o amor por mim que os amo tanto.
"Eu, enfim, que sou um diálogo continuo,
Um falar-alto incompreensível, alta-noite na torre,
Quando os sinos oscilam vagamente sem que mão lhes toque
E faz pena saber que há vida que viver amanhã.
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Mas o fato é que sempre é outono no outono,
E o inverno vem depois fatalmente,
há só um caminho para a vida, que é a vida."
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Fernando Pessoa - 1916

Tuesday, June 23, 2009

Rumo ao Alegrete!


Hoje à noite, irei para o Brasil. Depois dos últimos acidentes aéreos, viajo com medo. Lembro-me que, no início de fevereiro deste ano, quando eu ia pela Air France para o Egito, ao iniciar o vôo sobre o oceano, houve uma forte e longa - mais de uma hora - turbulência. Tranquilizei-me ao pensar que era uma Companhia aerea segura! Deu no que deu. Quando adolescente, aprendi com Cantañeda que vive bem quem tem a morte como companheira. Esse aprendizado me fez valorizar cada momento da minha vida e da vida daqules a quem amo - e foi um bom antidepressivo também. Já escrevi tantas vezes que a vida é feita de chegadas e partidas - para mim , neste momento, conflitantes. Quero ir; gostaria de ficar. Saudades de pessoas de lá; saudades de pessoas daqui. Como diz a Neneca "tudo isso é parte da aventura de viver".

Saturday, June 20, 2009

"Cada coisa a seu tempo..."



Estou, novamente, em Atlanta.
Havia já decidido ficar alguns dias com Patati, Valéria e Massimo antes de retornar ao Brasil.
Foi difícil, entretanto, sair de Illinois porque Ronald deve ainda permanecer lá até setembro. Depois, dividiremos nosso tempo entre o Brasil e os Estados Unidos. Claro que vou continuar viajando - a única diferença é que não mais estarei sozinha. Somos os dois aposentados!
Agradeço por ter, como escreveu meu amigo Luís Alberto Sanz uma vez, "a possibilidade de introduzir novos fragmentos no mosaico da vida". Belos fragmentos agora.
Agradeço também todas as mensagens que recebi e que muito me sensibilizaram. Pretendo respondê-las logo que eu chegar em casa.
Estou tranquila, estou em paz.
Parece mesmo que:
"Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos."
Fernando Pessoa

Friday, June 05, 2009

Illinois


Gosto da "Terra de Lincoln", como Illinois é chamado. Fora Chicago, é um Estado predominantemente rural. É bonito viajar por suas estradas vicinais, ladeadas por terras com grandes plantaçoes ou preparadas para plantar. Encantam-me , sobretudo, o verde das árvores frondosas que me fazem pensar que, na Bela União, temos apenas arbustos. Vivo em Pana, pequena cidade perto de Springfield, onde vou seguidamente e onde tem um parque grande e belíssimo e um bairro com casas fantásticas e jardins enormes. Estou bem aqui. Sinto-me em casa.

Thursday, June 04, 2009

Que assim seja!



Um dia, quando eu era muito jovem, acreditei na instituição casamento. União estável . Senso de família. Presença amorosa. Projetos comuns. Partilha cotidiana. Ética nas relações. Generosidade e gentileza nos sentimentos.

Um dia , já faz muito tempo, eu deixei de acreditar na instituição casamento. Perda sucessiva de referenciais de lealdade e afeto. Sensação de morte. Ruptura sofrida. Revolta dolorida. Vazio. Solidão aceita.

Superadas as duas fases, assumi minha solteirice. Liberdade total. Autonomia total. Solidão idem - autonomia e solidão se aproximam sempre. Maturidade bem amadurecida. Relacionamentos , ainda que efêmeros, fantásticos por si mesmos ou pela aprendizagem aportada. Embora sendo um riquíssimo período de vida, desejei modificar esse percurso. Não queria mais estar sozinha no café da manhã ou nas manhãs da vida. Milan Kundera escreveu algo semelhante a mais importante do que dormir junto é acordar junto. Eu desejava afeto e companheirismo.

Um dia, portanto, voltei a acreditar na instituição casamento - para toda a vida, considerando que esta minha vida já não será longa, ainda que eu supere as estatísticas oficiais. Desta vez, especial atenção à gentileza dos sentimentos e à fidelidade dos atos e das palavras. Projetos de -simplesmente - viver bem. Resgate do desejo de uma vida compartilhada com ânimo e encantamento. Tudo pronto. Estou feliz.
”Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, e sonhar sempre, pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.” Fernando Pessoa

Wednesday, May 27, 2009

Casamento em Paxton



Gosto de assistir a rituais em diferentes culturas. Casamentos, então, eu amo de paixão. É o meu ritual preferido. Sorte minha que fomos convidados para um casamento em Paxton, Illinois, no dia 23 deste mês,numa fazenda superbonita.


De Pana a Paxton, leva-se duas horas de carro. Paisagem linda. Plana. Terra preparada em alguns lugares. Muitas plantações em outros.


Quando chegamos no lugar indicado para estacionar, avistei , há uns trezentos metros, no meio de um campo plano e limpo, um espaço bem organizado, todo branco, com decorações nas cores verde e lilás e com cadeiras para umas cem pessoas.


Percebi , depois, que essas duas cores eram usadas em toda a festa, incluindo toalhas, pratos, copos, enfeites, doces e roupas das madrinhas - as duas com belos vestidos iguais! O verde era a cor escolhida pelo noivo; o lilás, escolhido pela noiva.


O tempo estava de chuva...eu rezava para que nao chovesse, pois o lugar era aberto. Lembrava-me do medo de fazer festas na Bela União e cair uma chuva imprevisível. Sorte de todos que não choveu até o final da festa.


Distribuiram-se roteiros aos convidados com a indicaçao de musicas, textos biblicos, nomes de padrinhos, avós e pais e , ainda, sequencia da cerimonia.


A cerimonia foi precedida da entrada solene dos familiares - avos paternos, avos maternos e pais. Depois as madrinhas, com seus buques de de flores. Por ultimo, duas criancas lindas que jogavam petalas de rosa no trajeto que a noiva devia fazer. O noivo entrou acompanhado dos dois padrinhos. A noiva entrou com o pai. Em todos os momentos, musicas de Johann Sebastian Back. Seleção comovente das músicas.


O ato religioso, muito semelhante ao ritual catolico, foi oficiado por um Pastor da Christian Church, igreja dos noivos e da maioria dos convidados. Os cumprimentos aos recém-casados foram feitos organizadamente, a partir da primeira fila, onde estavam os parentes com mais idade. Quando foram cumprimentados pela ultima fila de convidados , eles sairam pela entrada principal, onde todos os convidados os esperavam , cada um com dois baloes, um verde e outro lilas, que, soltos, formaram um belo conjunto, voando pelo espaco.


Na frente da fazenda, sob um toldo branco, as mesas onde foi servido o jantar - `as 18h ! Uma variedade grande carnes e varias saladas de maionese, faziam-me lembrar o Rio Grande do Sul. Havia também salsichas e hamburgs de diferentes tipos. Comi um pouquinho de cada uma dessas variedades para conhecer a cultura alimentar local. Experimentei tudo. Os doces e o bolo dos noivos eram brancos , enfeitados com verde e lilas, muito diferentes dos doces do Brasil. Deixei passar.


Por ser a única desconhecida e porque Ronald é muito querido pelas pessoas de Paxton, eu recebi, o tempo todo, olhares e gentilezas - muitas gentilezas mesmo.


Nas mesas, havia pacotes de confeitos de chocolates - cobertos com as cores verde e lilás - é claro! e pacotes de sementes de flor , como lembranças para os convidados. Os rótulos das garrafas de água mineral traziam a assinatura visual ( lembrei-me da Fabianinha, a designer da familia) dos noivos e muitos textos amorosos e biblicos.


Eu gostei mesmo foi das sementes de flores - flores do campo, como convem a um casamento de fazenda. Levarei para plantar na Bela União os pacotes meu e de Ronald.


Impressionou-me a simplicidade e a fineza da cerimonia e da recepcao. Impressionou-me, mais ainda, a acolhida que tive das pessoas. Gente é como a gente, nao importa muito a lingua, a cultura, o lugar do Planeta.

Monday, May 25, 2009

Noticias



Estou em Pana , Illinois. Estou bem feliz e com muitas novidades para contar. Durante esta semana, postarei novos textos e fotos. Assisti, em Paxton, a um casamento numa fazenda. Bela festa. Vai ser o tema de meu próximo texto.

Sunday, May 17, 2009

Atlanta

Sinto um pouco de preguiça de escrever sobre Atlanta. Para mim , é apenas a cidade onde moram meu filho, minha nora e meu neto. E isso me basta e me faz feliz.
Com mais de cinco milhões de habitantes, é a principal cidade da Georgia e tem o Aeroporto Internacional Hartsfield - Jackson , o mais movimentado do mundo em número de passageiros. É mais conhecida , entretanto, como a Cidade da Coca-Cola, da CNN - canal que transmite jornalismo durante as 24 horas do dia , de Martin Luther King Jr. - herói do movimento negro, e palco de "E o Vento Levou ", filme famoso protagonizado por Vivien Leigh e Clark Gable em 1939.
Sediou as Olimpíadas de 1996. Nunca as esquecerei porque moravam, nesse ano, aqui, dois dos meus filhos e houve um atentado em meio a um show, que eu sabia que eles estariam presentes. Eu estava no aeroporto de Palmas, nas ilhas Canárias, quando vi as imagens e pensei ter reconhecido a perna estraçalhada de um dos meus meninos. Telefonei imediatamente a eles, que estavam felizmente já em casa, pois haviam saído do show pouco antes da explosão da bomba. Que susto!
Atlanta é conhecida também como a pior cidade para pedestres - para mim ela faz prisioneiros àqueles que não têm carro - possui, todavia, bairro lindos, como este, onde mora meu filho, todo ele dentro de um bosque, com árvores imensas e casas ajardinadas. Possui um sistema de transportes públicos urbano chamado MARTA (Metropolitan Atlanta Rapid Transit Authority)que, a meu ver , não dá liberdade de movimento aos moradores de toda a cidade.
Sendo uma grande cidade americana, está piena de imensos shoppings e bons restaurantes. Fomos ontem a um restaurante japonês fantástico ( http://www.norinori.com/ ) com um buffet que devia ter duas centenas de pratos, incluindo entradas, saladas, sushis, sashimis e sobremesas. E considerem que comida japonesa e chinesa não estão entre as minhas preferências - mas esse é realmente muito bom.
Participo cotidiana e entusiasticamente do que parece ser - apesar da recessão - o esporte preferido de muitos americanos: ir às compras! Preços convenientes e variedade de artigos encantam-me. Mássimo se comporta muito bem, enquanto Valéria e eu passeamos entre as novidades e as tantas coisas que me fazem lembrar pessoas amadas . Comprei , por exemplo, um vestido para a pequena Isadora, minha sobrinha-neta e um blusão para o Pedro, meu neto.
Daqui a dois dias , descerei em Bloomington e permanecerei na região dos lagos, durante três semanas. Estou bem, em paz, apesar desta alergia típica de primavera que me abate um pouco.
"Exceto nas coisas intelectuais, onde cheguei a conclusões que tenho como firmes, mudo de opinião dez vezes por dia; só tenho juízo assentado a respeito de coisas em que não haja possibilidade de emoção." Fernando Pessoa

Thursday, May 14, 2009

De lá para cá...

De Fortaleza a Atlanta, são 8h30min de viagem pela Delta Airlines. Vôo direto. Parte - se às 9h40min. Para mim , foi difícil a saída:chorei muito por antecipadas saudades de Gugu e Adriana .
A viagem foi bastante agradável com muitos filmes bons que se pode escolher entre outras tantas atrações oferecidas. O melhor que eu vi , foi Milk, um filme, delicado e comovente, sobre um ativista homossexual da Califórnia, magnificamente interpretado por Sean Penn.
Patati me esperava naquele imenso aeroporto de Atlanta, que sempre me inquieta apesar de conhecê-lo bem. Hoje acordei ótima e saí com Valéria e Massimo. Fomos , inicialmente, a um espaço grande onde se pode encontrar absolutamente tudo para jardins e pomares - por pouco não saio com mudas, sementes e ferramentas para Bela União. Senti saudades de lá. Fomos , depois, a três outros "paraísos"de compras. Preços ótimos. Coisas lindas. Eu, resistente! Tenho ainda muito tempo antes de voltar.