Saturday, November 07, 2009

Haja pipoca!

Tenho, entre outras, duas grandes paixões: cinema e artes plásticas. Hoje tornei a ver Moulin Rouge, filme de que gosto muito, baseado na vida e obra do pintor francês Toulouse - Lautrec. Texto inteligente. Plasticidade impressionante.Lindo. Procuro, agora, Baleias de Agosto ( 1987) , um filme que não me canso de ver e que enfoca a questão do envelhecimento - comecei a vê-lo antes dos 50 anos!
Fiz, há poucos dias, uma relação de 40 filmes que eu gostaria de rever: seleção a partir de lembranças de diferentes períodos da minha vida. Projetos para o verão!
" Uma obra-prima não passa de ser uma obra qualquer
E, portanto, uma obra qualquer é uma obra-prima
Se este raciocínio é falso não é falsa a vontade
Que eu tenho de que ele seja de fato verdadeiro
E para os usos do meu pensar isso me basta".
Fernando Pessoa

Wednesday, November 04, 2009

Construção de projetos para 2010

Penúltimo mês do ano. Hora de projetar 2010. Os três primeiros meses não implicam muito tempo de estudo : espaços já conhecidos.
Para os meses seguintes, o projeto de uma visita demorada à China ocupa meu tempo maior de preparação e estudo. Começo sempre pela Geografia Física . Sinto a necessidade de situar-me no espaço. Ron, que esteve lá em 2009, ajuda-me, agregando muitas informações. Aos poucos, situo-me também no tempo, através de elementos da História. Faz-me falta um quadro de referências para ver melhor. A partir daí, a cultura e a arte tornam-se meus focos principais.
Prometo a vocês, Pedro e Massimo, que escreverei muito sobre esse país, que já me parece fantástico.
"Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.
Passamos e agitamo-nos debalde.
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento."
Fernando Pessoa

Wednesday, October 28, 2009

Santa Bárbara!São Jerônimo!


Após uma caminhada ao redor da casa, cheguei agora mesmo, até o computador , com o intuito de desligá-lo. Vem chuva forte , pensava eu, porque pretiou pro lado dos castilhano. Dei-me conta, então, da facilidade com que eu altero a linguagem conforme o lugar em que me encontro. Quando eu morei na Bahia, após as dificuldades iniciais, assumi itens lexicais muito próprios da região. Ao perguntarem, por exemplo, como estava meu trabalho, eu respondia : direitinho! Uma única palavra que me parecia uma resposta plena : direitinho! Normal! Sem grandes feitos ou grandes problemas. Em Napoli, eu gostava da imagem de mulher apaixonada, sem muito senso crítico , que me dava a expressão usada para designá-la: galinha morta. Galinha morta, assim, cabecinha caída, sem reação, aceitando tudo. Em Roraima, a expressão, usada para designar o café da manhã, parecia-me perfeita: segura peito! Aqui, na Bela União, já me surpreendi dizendo ocalitro e alvoredo, conforme dizia meu intercolutor! E muitas vezes, evidencio admiração , ao final de uma história, dizendo um prolongado: Iiii...ééé??? Vestígios da minha convivência com áreas do sertão nordestino.
Vou desligar o computador. Vem chuva mesmo. Minha mãe tinha razão, se preteia pro lado dos castelhanos, periga até tormenta. Pobres das minhas orquídeas e rosas tão floridas.
Santa Bárbara, São Jerônimo!
(Nunca entendi o clamor acolherado a esses dois santos quando há perigo ou medo de tempestade - mas digo).

Saturday, October 24, 2009

Para desejar um belo domingo...

Fernando Pessoa:
"Quanto faças, supremamente faze.
Mais vale, se a memória é quanto temos,
Lembrar muito que pouco.
E se o muito no pouco te é possível,
Mais ampla liberdade de lembrança
Te tornará teu dono."

Monday, October 19, 2009

Verdades infantis

Quando passei pela sala, aqui na Bela União, escutei Pedro dizendo:
- Minha avó é uma mulher muito bonita!
Não resisti e acrescentei : é bonita e jovem.
Pedro imediatamente esclareceu:
- Bonita tudo bem...mas jovem foi já faz muitos anos.
.....................................................................................................................
Pedro e Gonçalo brigaram.
Pedro saiu correndo e caiu. Nada grave.
À noite, Pedro sentiu-se mal e vomitou.
Gonçalo ficou muito sensibilizado e disse:
- Pedro, eu não desejei isso para ti. Um tombo, tudo bem...

Sunday, October 18, 2009

Pensando!


É domingo, domingo tranquilo, morno, bonito , véspera do aniversário do Mile, meu irmão - mais filho do que irmão. No dia em que ele completou dois anos, meu pai morreu. Eu tinha, então, onze anos. Mile e eu sempre fomos muito próximos. Na verdade , sempre moramos juntos, ele na minha casa ou eu na casa dele. Mile é uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço. Além de inteligente, ele é sensível, perspicaz e naturalmente do bem. Eu poderia contar, durante dias e dias, histórias lindas dele. Merecia um livro.
Por que não escrevemos livros? Será pela cultura de sacralização da escrita? Será pelo medo da crítica que atingiria nossa vaidade? Ou simplesmente por preguiça, acomodação ou medo de abrir o "armário dos guardados"? Escrever é um ato de decisão somente. O que contar todas as pessoas têm. Basta pagar uma editora - são tantas e tão diversas - e nossos blocos de notas virarão livros. Pode ser apenas um volume! Ou um para cada filho. Belo exercício de memória. Bela recordação para nossas crianças. Sim! precisa-se de persistência, justamente o que me falta. Pedro e Massimo que me perdoem.

Monday, October 12, 2009

Sobre chuva e festa na Bela União


São difíceis os caminhos da Bela União. Com a chuva intensa e incessante de ontem, mais difíceis ainda! Não obstante isso, mais de 50 pessoas se reuniram aqui para comemorar, no Brasil, meu casamento com Ronald - meu segundo casamento , assim, de "papel passado", 45 anos depois do primeiro.
Somos os mesmos - minha família, meus amigos - apenas trazíamos antes nossas histórias do trabalho e os nossos filhos pequenos - hoje trazemos, juntos ou em fotografias, os nossos netos e nossas novas histórias de vida. Nossas crianças já têm as suas crianças.
Somos os mesmos - velho continua sendo quem tem 10 anos a mais do que nós. Nossa capacidade de rir, conversar, emocionar e surpreender permanece.
Muitos amigos não conseguiram estar aqui fisicamente: estavam, entretanto, nas nossas recordações. Senti falta e saudade dos que não chegaram aqui e dos que não chegaram até aqui. Faltará sempre o Benetti e sempre nos lembraremos dele.
Fiquei muito feliz com os que vieram - eles constituem a minha família de espírito , como escreveu a Verinha Siqueira. `A noite, eu fiquei relembrando cada um deles e agradecendo a Deus pela alegria de encontrá-los.
Relembro que, Rolandinho e eu, fizemos uma grande festa, no meu apartamento, em Santa Maria, para comemorar que estávamos vivos. Devíamos fazer mais festas com esse motivo, pois as perdas são inexoráveis.
Não consegui conversar com todos como gostaria. Pouco tempo e muita chuva. Quase não conversei com Dirce, Mário, Rosana, Clóvis, Odete. Queria que todos tivessem permanecido por mais tempo. Gugu, Pedro, Mile, Fernando, Fabianinha, Marcel, Igor, Lilian , Zeli, Ary, Melina, Fábio e Neneca foram ajuda, presença e apoio em todos os momentos.
Distribuímos, durante a festa, pacotinhos de sementes de flor, trazidos da regiao do Ron, meio - oeste americano. É primavera. Sementes são flores futuras. Flores que gostaríamos de dar a cada um como agradecimento pela partilha e pelo convívio. Esse agradecimento se estende também aos que não puderam vir, por diferentes razões, incluindo eu haver me atrapalhado e deixado de avisá-los. Avisei alguns quando eu ainda estava em Illinois. Ainda bem que Soraia avisou Marietinha e Walter e Rosana avisou Adalberto e Vera.
Ronald e eu agradecemos muito a lembrança bonita que essa festa deixou em nossas vidas.

Wednesday, September 30, 2009

Lá vamos nós...



Estamos no Aeroporto Regional de Bloomington - Illinois. Depois Atlanta/Rio/Porto Alegre/família/casa. Ronald e eu estamos felizes com esta viagem e estamos carregando uma bagagem “grandinha”, plena de valores afetivos. Cuidamos o peso de cada mala para que não ultrapassassem os 50 pounds permitidos por unidade - duas unidades por pessoa. Assim, não pagamos excesso. Estive em lojas fantásticas pela variedade, qualidade e preço. Presentes de Natal solucionados!
Depois do check in , almoçamos, num típico restaurante americano, com Daniel e Lora, pais adotivos de Ron. Gosto muito deles - e eles, de mim. De Paxton a Blomington, são 80 km. Daniel não dirige mais, mas vieram nos trazer com Lora dirigindo. Impressionante como os velhos aqui são independentes e fazem sua rotina. Ontem, estacionou um carro ao meu lado na frente do correio, em Paxton. Desceu dele uma senhora que retirou do carro um andador e, segurando-se nele, entrou no prédio do correio, de onde saiu, minutos depois, carregando cartas e um pequeno pacote. Num posto de gasolina, vi uma senhora abastecer o carro, pagar, buscar pano e escova e limpar os vidros. Sozinha, claro! Sem exagero, essas duas mulheres deviam ter maioridade quando eu nasci. Quero muito ser assim. Muitos velhos, velhos mesmo, nas cidades pequenas e nas fazendas.
Voltando às comidas, quero contar que comi “tudo” Comi sem remorso, sem culpa, sem restrições e com muitos gordos por perto. Senti a partilha! Estou voltando , depois de 45 dias, com dois quilos a mais. Pela primeira vez, não me sinto injustiçada. Engordei porque comi mesmo. Vem , agora, a” penitência”.
Lembrando dieta, aprendi , com Lora, a fazer uma sobremesa fantástica: maçã, com casca, cortada em pedaços fininhos, abacaxi, machimelo também em pedaços e iogurt ou creme de leite. Tanto pode ser com sal e acompanhar pratos com frango grelhado, como pode ser com adoçante ou açúcar e servida como sobremesa. Até passa por ligth.
Ficaremos seis meses no Brasil. Como sempre, saudades daqui, saudades de lá, saudades da Itália, saudades da Bahia, saudades de Roraima, saudades da Índia..e de tantos outros lugares. Será mesmo saudade essa lembrança boa de lugares fantásticos e esse desejo de revê-los?

Tuesday, September 22, 2009

Sobre cotidiano

Parece que o meu destino é mesmo andarilhar. Ou é destino ou é decisão. Aproveitei este mês para conhecer detalhadamente a região. Transito, o tempo todo, entre: Pana, Paxton, Bloomington, Champaign, Decatur, Springfield, Rantoul, Gibson, Montecelo,Taylorville, Shelbyville, Tuscola, Mattoon e tantas outras cidades principalmente de Illinois. Neste período do ano, as estradas são um pouco monótonas: percorrem-se quilômetros, muito planos, com plantaçoes de milho à direita e plantaçoes de soja `a esquerda. Tudo muito verde. Depois muda: soja à direita, milho à esquerda. Na última semana, mudanças na paisagem: milho e soja amarelando! Logo o verde será substituído pelo amarelo. Saudades de algum morrinho!
Descubro, cada dia, uma característica ou traço da cultura local que eu ainda não apreendera. Tem sido ótimo conviver com o hábito de servirem café , num copo imenso, em todas as refeições, em qualquer restaurante. Recebemos muitos convites para almoços, piqueniques, festas. Na semana passada, fui a dois eventos muito interessantes. O primeiro, um almoço na casa de Pauline, uma senhora que foi missionária no Equador durante vinte anos e hoje vive numa fazenda em Gibson. Pauline tem elegância, agilidade e vivacidade que encanta a qualquer pessoa. Meu sonho é chegar à idade dela e me parecer com ela. Ela me ensinou a fazer uma torta de maçã fantástica e muito fácil . A massa é feita com duas xícaras de farinha, uma xícara de manteiga e meia xícara de água. Depois de bem amassada e aberta cobre-se uma forma com a metade dessa massa. Descascam-se as maçãs (muitas) e cortam-se em pequepos pedaços , que são postos na forma. Sobre essas maçãs picadas, polvilha-se uma xícara de açucar e meia xícara de farinha , Acrescentam-se pedacinhos de manteiga. Cobrem-se as maçãs com o restante da massa aberta , faz-se aquele "enfeitinho" nas bordas e põe para assar - os primeiros 15 minutos em fogo alto ( 180) e os restantes , em torno de 45 min, em fogo baixo. Fica uma delícia. Adorei a visita a Pauline. O segundo evento foi um almoço em Bloomington, no que resta da Escola Militar onde Ronald foi aluno interno durante quatro anos de sua adolescência. Funciona, nesse lugar , um centro comunitário, com muitos eventos voltados à terceira idade. Tem um parque lindo e uma escultura fantástica, colocada ali pelos ex-alunos com o objetivo de manter a memória do lugar. Foi distribuída uma publicação dirigida aos ex-alunos, com a listagem dos que se inscreveram para a festividade deste ano e , no final , a lista dos que morreram após o último encontro , há dois anos. A concretude da transitoriedade me abalou muito. Ronald está entre os mais jovens - ainda bem - sempre temo o único estado civil que eu não ainda não experimentei!
As igrejas aqui constituem o ponto de encontro de muitas pessoas e talvez a referência maior de amizade, convívio e solidariedade. Penso em escrever sobre isso. Amanhã cedo, viajaremos para Michigan. Ficaremos por lá alguns dias. Espero fazer boas fotos . Sei que a região é linda. Estou curiosa.
"Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto.."
Fernando Pessoa

Tuesday, September 15, 2009

Labor Day em Pana





Gosto de Pana porque vive aqui , numa casa histórica , minha amiga-irmã Eni ( http://www.panaillinois.com/mansion.htm ). É uma cidade com pouco mais de seis mil habitantes.

No desfile comemorativo ao Dia do Trabalho, dia sete de setembro, estima-se , no entanto, que mais de dez mil pessoas assistiram a ele ou dele participaram. Escolas e bandas vieram de cidades vizinhas para desfilar em Pana. Desfilaram , além de escolas e bandas locais, fazendeiros, comerciantes, profissionais liberais, grupos da terceira idade ( ou seria quarta?) , funcionários públicos, famílias, misses, rainhas, partidos políticos e igrejas. Muitos carros alegóricos ou caminhões vinham com essas rainhas ou misses sentadas sobre fardos de feno - esta é uma região realmente rural. Os muitos carros antigos me encantaram - como me encantaram a perfeição das demonstrações de ginástica rítmica e olímpica. Ao longo do trajeto, pessoas que levaram cadeiras, ficaram ali muitas horas , participando, ativamente, da festa. Todos os que desfilaram, distribuíram doces e brindes para os assistentes. Meus amigos juntaram, para levar a uma instituição de caridade, duas sacolas de itens diversos,como: caramelos, chocolates, lixas de unha, escovas de dente, chicletes, pirulitos e outras coisas mais. O desfile teve características de uma festa popular, com um único momento solene: quando passaram dois carros do exército, os assistentes todos levantaram e aplaudiram demoradamente. Particularidade da região, pensei eu.

Também em Pana, visitei a Feira Anual de produtos agrícolas principalmente. A novidade de que mais gostei foram os concursos. Muitos e dirigidos às famílias: arranjos de flores naturais , artificiais e silvestres; artesanato divididos em categorias diversas; doces, bolos e pães caseiros; produtos de horta e pomar; costuras, pinturas, esculturas e fotografias. No conjunto , mais de cinquenta categorias. Prêmios em dinheiro. Prêmios pequenos : 20, 10 , 5 dólares, mas um incentivo grande à participação.
Bem que se poderiam fazer concursos semelhantes em Alegrete ou Rosário do Sul. Pensando nisso, reuni materiais informativos e fiz fotos dessa parte da Feira.
Agora, preciso descobrir para quem faço essa proposta.